DATE Jan 04 2026 | READ 10 MIN

Quem escreve o roteiro da sua vida?

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Você já sentiu que algo estava faltando, mesmo quando tudo parecia estar dando certo?

Eu senti. Por muito tempo.

Trabalhava no Mercado Livre — uma multinacional bilionária, empresa gigante, estruturada, cheia de oportunidades. Era muito bom. Tinha um mundo pra conhecer, pra aprender. Ótimo salário. Família. Tudo.

Mas sempre tinha algo faltando dentro de mim.

Eu tinha baixa motivação pra trabalhar. Não era que o trabalho fosse ruim — era que eu não me sentia completo. Como se eu estivesse fazendo a coisa certa, mas não a minha coisa.

E aí vinha a culpa: como eu poderia estar triste? Por que eu estaria insatisfeito? Na minha cabeça, eu não poderia reclamar da minha vida porque tinha pessoas em situações muito piores que a minha.

Passei muitas noites mal dormidas nessa fase. Entrava num loop. E a terapia me ajudou a entender que essa lógica é uma armadilha — o fato de existirem pessoas em situações piores não invalida o que você sente. Seu incômodo é real. Sua insatisfação é válida. Ignorar isso só te afunda mais.


Foi nesse contexto que recebi uma proposta da Deco.

Fizemos umas 4 ou 5 reuniões até eu decidir aceitar. E na primeira, eles me fizeram uma pergunta que me pegou completamente desprevenido:

“O que você quer da sua vida?”

Uma pergunta tão simples. Tão direta. E tão difícil de responder.

Mas eu sabia. E sei. Quero construir algo foda. Não algo genérico. Não algo só pra pagar as contas. Algo que eu olhe e me enxergue. “Eu estou aqui.” Como se eu pertencesse àquele lugar.


Essa pergunta me forçou a confrontar algo que eu vinha evitando: quem define o que eu deveria querer? De onde vem esse roteiro de vida que eu estava seguindo sem questionar?

Nietzsche tem uma frase que sempre me fez pensar:

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Deus está morto. Deus permanece morto. E nós o matamos.

Não é um statement religioso — e eu não quero entrar nessa discussão. O que Nietzsche estava apontando é algo mais profundo: os valores absolutos, aquelas verdades inquestionáveis que guiavam a sociedade, perderam sua força. E isso deixou um vazio.

Mas com esse vazio vem uma responsabilidade. Se não existe mais um guia pré-definido dizendo o que é certo, o que é errado, qual é o sentido da vida… então cabe a você criar isso.

Nietzsche não celebrava essa “morte”. Ele alertava para o desafio imenso que é construir novos propósitos sem um roteiro pronto. É muito mais fácil seguir um manual. Fazer o que todo mundo faz. Aceitar os valores que te entregam prontos.

Mas também é libertador. Porque se você é responsável por criar seu sentido… então você pode criar um sentido que realmente faça sentido pra você.


E foi exatamente isso que eu fiz. Parei de aceitar verdades prontas.

Eu escutava muito na minha bolha falas como “tem que trabalhar bastante enquanto é novo para ter liberdade financeira quando mais velho e poder fazer o que quer”. E por muito tempo eu aceitei isso como verdade.

Até que um dia me perguntei: mas por que eu não posso fazer o que eu quero agora? Por que eu tenho que ficar velho pra isso?

A partir disso, pensei: “O que eu faria se eu fosse um velho super rico?” E eu quero ir para esse lugar. Agora. Não daqui a 30 anos.

"
Se você não está fazendo hoje o que faria como um velho super rico, talvez seja hora de repensar suas escolhas.

Felizmente, acho que já estou onde gostaria de estar. Se eu não estivesse fazendo o que faço atualmente, estaria muito perto disso. Esse exercício mental me ajuda a calibrar se estou no caminho certo.


Por muito tempo, eu calei desejos meus. Por medo. Por insegurança. Medo de ser julgado. Medo de não ser apoiado.

Essa mudança de trabalho foi um desses casos. E ao fazer isso — ao finalmente escolher o que fazia sentido pra mim — algo mudou dentro de mim. Cada vez mais coisas surgem. Vontade de publicar mais o que eu penso e sou. Me expor mais ao mundo. Me conectar com mais pessoas. Conversar. Discutir. Me expor ao erro. Errar e aprender. Refazer.

Acho que isso é um dos meus princípios e propósitos de vida:

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Viver.

Simplesmente viver. Fazer. Experimentar. Errar. Corrigir. Seguir.


Aqui está o que eu aprendi: se seu trabalho se alinha com seu propósito de vida, a motivação vira uma arma poderosa de sucesso. Quando você tem tesão, vontade de fazer o que faz, as coisas caminham muito melhor. Sua produtividade é melhor. A qualidade da sua entrega é melhor. Sua satisfação é melhor. Sua vida é melhor. Porque você faz o que faz sentido pra você.

Hoje eu tenho esse privilégio de trabalhar com o que gosto. E digo privilégio porque, infelizmente, é exatamente isso — um privilégio. Queria que todos pudessem trabalhar com o que sentem tesão. Isso com certeza faria o mundo muito melhor. Mas nossa realidade é dura e cruel. Nem todo mundo tem essa escolha.

Desse jeito, eu acredito que não tem como dar errado. Sei que no futuro não vou me arrepender — porque estou escolhendo conscientemente e diariamente viver a vida que eu quero viver.


Se você está em um lugar onde tudo parece certo mas algo parece errado — presta atenção nisso. Esse desconforto é informação.

Propósito não é algo que você encontra pronto. É algo que você constrói. E às vezes, a resposta vem de lugares inesperados. Uma pergunta em uma entrevista. Uma conversa com alguém que pensa diferente. Um desconforto que você finalmente decide parar de ignorar.

Hoje eu acordo com vontade de trabalhar. Não todos os dias — sejamos honestos. Mas na maioria deles. E isso, pra mim, mudou tudo.

Eu não sou um guru. Não sou detentor de nenhuma sabedoria especial. Sou só um cara de 21 anos que passou por isso, viveu na pele, e tirou essas reflexões. Talvez daqui a 10 anos eu olhe pra esse texto e discorde de tudo. Mas é isso que eu penso hoje — e achei que valia compartilhar.

Se você tá nessa jornada de buscar propósito, boa sorte. É uma jornada que vale a pena.

E se quiser trocar uma ideia, me chama nas redes. Adoro conversar sobre essas coisas.

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